CAMPANHA: PRECONCEITO JAMAIS!
1. CÂNCER INFANTIL: CONCEITOS E PRECONCEITOS
1.1. Os preconceitos, mitos e idéias errôneas.
O preconceito, pela própria semântica, nos dá um significado de um pré-conceito, ou melhor, um conceito já formado que carregamos conosco e que muitas vezes obstruem nosso pensamento impedindo que novas idéias ou conceitos possam ser compreendidos de maneira imparcial. É importante destacar que este termo carrega atualmente um significado negativista, ou seja, está associado à impossibilidade de mudanças saudáveis, porém não é sempre assim, pois possuímos conceitos anteriores que estruturam a nossa base de conhecimentos os quais não necessariamente impedem a nossa visão da realidade. Não podemos desprezar que as atitudes e o comportamento cotidiano são frutos dos pensamentos pré-concebidos.
Os preconceitos sempre desempenharam uma função importante também em esferas que, por sua universalidade, encontram-se acima da cotidianidade; mas não procedem essencialmente dessas esferas, nem aumentam sua eficácia; ao contrário, não só a diminuem como obstaculizam o aproveitamento das disponibilidades que elas comportam. Quem não se liberta de seus preconceitos artísticos, científicos e políticos acaba fracassando, inclusive pessoalmente.
A estrutura pragmática da vida cotidiana tem conseqüências mais problemáticas quando se coloca em jogo a orientação nas relações sociais. Na maioria das vezes, embora decerto nem sempre, o homem costuma orientar-se num complexo social dado através das normas, dos estereótipos (e, portanto, das ultrageneralizações), de sua integração primária (sua classe, camada, nação). No maior numero dos casos, é precisamente assimilação dessas normas que lhe garante o êxito. Essa é a raiz do conformismo. Todo homem necessita, inevitavelmente, de uma certa dose de conformidade. Mas essa conformidade converte-se em conformismo quando o indivíduo não aproveita as possibilidades individuais de movimento, objetivamente presentes na vida cotidiana de sua sociedade, caso em que as motivações de conformidade da vida cotidiana penetram nas formas não cotidianas de atividade (HELLER,1970,p. 46).
A pré-concepção é uma forma enviesada de se perceber o outro. Tal sentimento reside no homem e pode eliminar sonhos e inibir vidas. Vivemos num mundo inibidor de valores em que os preconceitos e a hipocrisia permeiam as relações humanas, tornando-nos menores em nossas existências. Heller (1970) salienta que:
A história é a substância da sociedade. A sociedade não dispõe de nenhuma substância além do homem, pois os homens são os portadores da objetividade social, cabendo-lhes exclusivamente a construção e transmissão de cada estrutura social. Mas essa substância não pode ser o indivíduo humano, já que esse – embora a individualidade seja a totalidade de suas relações sociais – não pode jamais conter a infinitude extensiva das relações sociais. (p. 02 )
Segundo Heller(1970, p. 57 ),
O preconceito pode ser individual ou social. O homem pode estar tão cheio de preconceitos com relação a uma pessoa ou instituição concreta que não lhe faça absolutamente falta a fonte social do conteúdo do preconceito. Mas a maioria de nossos preconceitos tem um caráter mediata ou imediatamente social. Portanto, os preconceitos, são obra da própria integração social que experimenta suas reais possibilidades de movimento mediante idéias e ideologias isentas de preconceitos. O desprezo pelo outro, a antipatia pelo diferente, são tão antigos quanto a própria humanidade.
O homem predisposto ao preconceito rotula o que tem diante de si e o enquadra numa estereotipia de grupo. Ao fazer isso, habitualmente passa por cima das propriedades do individuo que não coincidem com as do grupo. Mesmo quando chega a percebe-las, registra-as como se tivessem produzido apesar da integração do indivíduo em seu grupo, contra sua integração.
As pessoas estão sendo vítimas do embrutecimento que podem torná-las insensíveis e desprovidas de seus melhores sentimentos.
1.2. O preconceito sobre o câncer infantil.
Algumas pessoas até evitam pronunciar a palavra, dizendo “aquela doença” ou “aquilo”. Infelizmente, comportamentos como esse somente contribuem para aumentar a desinformação a respeito da doença e a estigmatizar a pessoa com câncer, tratando-a como alguém que deve ser escondida ou isolada. A ignorância em relação à doença pode fazer com que amigos ou familiares se afastem do doente, ou que a tratem de maneira diferente da usual. Isso pode prejudicar não somente o emocional e psicológico, mas também o físico. O Câncer não é uma doença contagiosa. Tais preconceitos que pesam sobre a doença, estes podem funcionar como fatores negativos reprimindo a expressão dos potenciais e contribuindo para o enfraquecimento da capacidade de auto-regulação do organismo.
O paciente pode ser estimulado em sua capacidade e criatividade. Felizmente o tratamento do câncer está cada dia mais humanizado. A auto-estima do paciente é fator importante e tem sido cada dia mais prioritário. Estudos indicam que quanto melhor a auto-estima, o paciente se sente mais seguro e adere com mais eficácia ao tratamento.
A escola não foge da realidade da convivência com o câncer, seja ela com o seu aluno, parentes próximos, amigos, professores, funcionários e direção. Desta forma, observa-se um despreparo e manifestações preconceituosas no lidar com esta situação. O ambiente escolar deve estar preparado para exercer um papel importante nesse processo de resgate da auto-estima do paciente e da família. È muito importante que o paciente e a família façam planos para o momento de alta médica. Ou seja, acreditem na vida e na recuperação após o tratamento. Como nestes momentos a escola faz parte desta realidade, é necessário que o espaço escolar cumpra a sua função de acolhimento social e formação intelectual sem constrangimentos e comportamentos inadequados. Não deixar que o aluno se feche, fique sozinho, e manter a convivência com os amigos e professores ajudam na socialização.
A falta de conhecimento gera um preconceito cruel e insano, o aluno passa a achar que uma vez portador do câncer o seu futuro será a morte e, uma morte imediata e sofrida, desconhecendo assim qualquer forma de tratamento ou cura. A história nos mostra que concepções pré-estabelecidas são perigosas e quase sempre errôneas. No caso do câncer infantil o fato dele acontecer em indivíduos tão pequenos e frágeis ajuda a aumentar este estigma. Passa-se a achar que não existiriam forças suficientes para uma recuperação satisfatória. Torna-se um desafio transformar o conhecimento prévio do aluno, salientando que uma atividade interdisciplinar deve ampliar a sua visão de mundo ajudando a derrubar qualquer tipo de preconceito e mudando suas atitudes.
Este texto foi retirado de uma monografia da Universidade Federal Rural de Pernambuco, pelo Departamento de Educação no Programa de Pós-graduação em Ensino em Ciências com o título: Intervenções Interdisciplinares na Desmistificação dos Preconceitos diante do Câncer Infantil.
Autores: José Roberto Tavares de Lima
Kátia Cunha de Barros
Kilder Henrique Guimarães Alves
Robson Oliveira Queiroz
A grande dificuldade do paciente portador do Câncer não está relacionada apenas ao tratamento, mas sim ao preconceito. Propomos a todos os leitores que reproduzam este texto e o enviem por email, blogs, orkut, sites. Participem de nossa campanha, mostrando a todos que o paciente, seus familiares e profissionais esperam, com o conhecimento de todos, provar que a discriminação não possui fundamentos e, é apenas fruto da ignorância.
S.O.S Amizade na luta contra o preconceito.