O Contador de Histórias e sua Importância

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“A Magia e Encantamento das Histórias na Formação Humana”

 

EDUCAÇÃO, desafio cada vez mais presente na sociedade contemporânea, estimular a aprendizagem é tarefa difícil em um mundo de tantas possibilidades, facilidades e dispersões. Observamos que a tecnologia e a oferta fazem do homem, na atualidade, o escravo da mídia e o depositário de investimentos e descarte do processo de ensino, não se valoriza o criar, descobrir, desenvolver e recriar. A criatividade se torna algo primitivo, por que criar, se já se dispõe da tecnologia e vantagens de algo já elaborado e imposto pela mídia e pelo capitalismo? A Educação refere-se ao ser e ao seu desenvolvimento, não devemos desprezar a tecnologia e as facilidades de aquisição de bens, mas não podemos frustrar a criatividade e o desenvolvimento do saber por descobertas e etapas de convívio e troca de valores culturais, artísticos e históricos da nossa história. O contador de Histórias resiste aos tempos, é arte viva, pulsante e persistente da cultura de um povo, de sua sensibilidade e desenvolvimento. Contar Histórias é um talento nato, muitas das vezes não percebido pelo ser, contamos histórias reais e inventadas na intensa necessidade de sermos ouvidos e de ouvirmos e sentirmos a reação e emoção que nunca são esquecidas, pois são reais e expressivas, pois fazem parte de elaboração interior, de desprendimento do corpo e liberdade da alma, toca a fundo na emoção e desfecha-se na memorização, pois o nosso cérebro seleciona o que é real e transformador em nossas vidas.

A prática de contar histórias permite a intercomunicação das partes, do contador e do ouvinte, contar e interagir nessa arte desenvolve a emoção, percepção e aceitação de um fato e amadurecimento sobre ele. Se permitir voltar a ser criança, envelhecer, estar na condição de um animalzinho, ser o vilão(ã) ou mocinho(a), ser correto ou não na história desenvolve em você a crítica e compreensão da natureza humana por se transpor na condição do outro, o preço dessa conquista é a magia, romper preconceitos  e evoluir no descobrir, na certeza que esta descoberta é constante e necessária.

A importância de investir a literatura na infância será fundamental para o amadurecimento e desenvolvimento do homem do futuro próximo, este terá a percepção aguçada e com a criatividade desenvolverá a sua característica diferencial na prática profissional, terá reconhecimento e segurança em sua evolução profissional, social e familiar. O mais importante disso tudo é que ele será um multiplicador da prática da leitura e de contar histórias em gerações.

O grupo S.O.S. Amizade desenvolve atividades lúdicas e didáticas e na forma de Histórias contadas, consegue desenvolver a criatividade e reflexão aos pacientes e acompanhantes, sempre tendo a preocupação em estimular a criatividade com temas da realidade do paciente, conseguimos tratar de assuntos importantes, como infecção hospitalar, medicação, alimentação, higiene, esperança e perseverança. As histórias possuem um planejamento na sua execução e aplicação, é uma forma mágica de aplicação dos objetivos de educar e transformar a realidade do ambiente hospitalar, informando e refletindo sobre os aspectos trabalhados de forma suave e agradável com a adaptação adequada à idade e maturidade de cada criança e acompanhante. O mais legal disso tudo é que contando histórias, crianças, adolescentes, adultos e profissionais despertam seu lado lúdico em ser criança e gargalhadas, emoções e reflexões são compartilhadas e bem vindas.

Contar Histórias consiste na fórmula certa para atingir o público com temas suaves e reais e pela sua magia e entretenimento é sempre bem vindo em todos os ambientes em que se estimula o ser criança.

 

Quer avançar no tempo e transpor as dificuldades? Entregue-se a leitura e a contação de  histórias.

Kilder Alves

 

OFICINA CONTOS DE RETALHOS

( CONTADOR DE HISTÓRIAS )

Podemos entender a arte e a sensibilidade de se contar histórias como a simples  capacidade de identificar dentro de si mesmo a criança de antes, a do presente e aquela que desejamos que permaneça em nossas vidas no futuro. É importante voltar a ser criança e assim lembramo-nos de uma frase “URGENTE SER CRIANÇA”. “A criança não é uma fase transitória que prepara para a vida adulta.” A “Infância é aqui e agora”. Assim poderemos até perguntar:Todo contador tem que se reportar ao tempo de criança para contar histórias para crianças? Sim, é a resposta, pois o contador de histórias conta histórias para crianças de todas as idades, aquelas da fase cronológica, aquelas em que esta fase não acompanha a cronologia e para aquelas, que mesmo adultas, podem ser despertadas na criança que as habitam, mas muitas das vezes por convenções, preconceitos, situações não são demonstradas.

Então nos vem a pergunta: O que você quer ser quando for criança?

A grande arte de contar histórias acontece no primeiro momento em que o contador terá contato com o seu público, um olhar no outro olhar, um sorriso e um movimento pode determinar o momento mais mágico de se iniciar uma história.Desta forma, cuide-se, tenha uma aparência agradável, simples e encantadora, lembre-se que a porta de entrada é o sorriso e o pezinho dentro da alma entra pelo olhar.Pense nisso, como chegarei? Como me verão? Como compartilharemos este momento mágico?

No mundo contemporâneo, o Contador de Histórias vem resgatar a união, cumplicidade e o prazer para a leitura, muito se discute sobre o que é alfabetizar e o que é o analfabeto funcional, não nos cabe aqui nos determos em conceitos e definições, mas é interessante como o contador de histórias tem uma importância fundamental no processo de alfabetizar, e “realfabetizar”. Lembramos ainda que a família, por falta de tempo e compromisso na formação de seus filhos, vem delegando às escolas a responsabilidade de desenvolvimento dos seus, assim a escola assume a cada dia a importância de formar informando e reforçar a prática da leitura e  compreensão, isto é grave, pois quando ocorre falhas na responsabilidade e na proposta da escola, formaremos seres engaiolados, limitados e papagaios de textos e textos. Larissa Betfuer define: ” Há escolas que são gaiolas e há escolas que são asas.” Lembramo-nos ainda da matemática do conhecimento popular: “Quem conta um conto … aumenta um ponto”.

“Se a alfabetização for entendida como a aquisição de uma habilidade ou o domínio de um código específico, alfabetizar torna-se um ato que se esgota em si… Porém, se alfabetizar for vista como a preparação de um leitor, o problema se desloca da aquisição de uma habilidade, para a preocupação com a formação do destinatário do processo: o sujeito falante.”                                      
                                    Cademartori

O sujeito falante, antes de tudo, é o leitor crítico e bem formado, desta maneira todos têm um papel fundamental nesta formação, escola, família e sociedade.

Contar Histórias … Na história: A história pode ser retratada na própria história, nos tempos remotos temos registros de pinturas Rupestres que representavam cenários e personagens do cotidiano de grande valor de civilizações, papiros egípcios trazem representações e grafias definidas. Sisto (2001) mostra em seus trabalhos a importância dos rituais de círculos nos indígenas onde as gerações compartilhavam de histórias do seu povo, andando mais a frente, pela revisão de Cunha (1985) vemos o grande impulsor da literatura com a tipografia no século XVIII, com direcionamento e  possibilidade  ao público infantil. O público Infantil que hoje consideram, representam o maior público para vendas de livros, que possuem a faixa e gêneros diversos direcionados ao seu mundo e habilidades, mesmo assim são poucos os que têm o privilégio de acesso e aquisição, mas os que possuem tal oportunidade consiste num público exigente e seletivo.

“… As obras infantis que respeitam seu público são aquelas cujos textos têm potencial para permitir ao leitor possibilidade ampla de atribuição de sentidos àquilo que lê. …estimula a criança a viver uma aventura com a linguagem e seus efeitos, em lugar de deixá-la  cerceada pelas intenções do autor, em livros usados como transporte de intenções diversas…interações entre as linguagens visual e verbal…”

                          Cademartori

Contar histórias baseia-se,em primeiro lugar, no respeito ao criador da história e seu público. Conhecer bem a obra e o seu ator é fundamental para o contador.

PADRÕES DA LITERATURA INFANTIL

Qual o padrão e origem da literatura infantil?No século XVII –  França – Charles Perraut (Cinderela/Chapeuzinho Vermelho) nos trazia os contos e lendas da Idade Média adaptados e gentilmente remodelados ao gênero Infantil.No século XIX – Alemanha, os irmãos Grimm (João e Maria/Rapunzel) Cristian Andersen (O Patinho Feio/Os Trajes do Imperador)Colodi – Italiano (Pinóquio)Carrol – Inglês (Alice)Frank Baum – Americano (Mágico de Oz)James Barrie – Escocês  (Peter Pan). No Brasil
Henriqueta Lisboa, Raquel de Queiroz, Mario Quintana, Érico Veríssimo, Cecília Meireles, Vínicius de Moraes, Clarice Linspector, Ferreira Gullar, Armando Freitas Filho, Monteiro Lobato.No século XX tivemos a  internacionalização do Gênero, possibilidade de globalizarmos culturas e povos em seu mundo e histórias.

O CONTADOR E AS TECNOLOGIAS

No século passado, em meados dos anos 70 e 80, a televisão proporcionou discussões diversas sobre riscos e atrativo competidor da leitura e de obras, atualmente o computador e suas redes, blogs, sites são motivos de discussão entre pedagogos, psicólogos e educadores. O que podemos tirar disto? Lucro com certeza, temos a mídia como veículo e estimulo a histórias, os livros podem ser confeccionados e produzidos em casa, podem ser compartilhados, a qualidade, arte e inovações são fatores de elaboração e estímulos no seduzir o leitor, nunca em tempo algum com toda tecnologia se vende livros de diversos gêneros, padrões e público. Por mais incrível que pareça, os contadores de histórias são requisitados e valorizados no mundo moderno, eles facilitam o que talvez a tecnologia não consiga: o contato, o ao vivo,troca real de emoções e ações. Inegavelmente, a tecnologia é uma grande aliada na literatura e nas produções e execuções de histórias em todo o mundo, não devemos nos assustar nem temer a oportunidade tecnológica, e sim ,deveremos estar antenados em todas as novas formas para o nosso melhor desenvolvimento e prática.

Mas que saudade dos tempos em que nossos pais e nossos avôs nos traziam a leitura em horas especiais e antes de dormirmos, esta prática nunca se esgotará, pois além da história pela história, tínhamos a história e o afeto.

O contador de Histórias, antes de tudo, estará em evidência, desta maneira deve estar preparado para isto, cuidar de si é fundamental para melhorar a sua prática, se você utiliza de sua voz, por que não a valorizar?  Uma voz clara, limpa, uma palavra bem pronunciada, uma respiração perfeita e postura, são fundamentais. O contador deve ter esse respeito com o seu público, respire (ou aprenda a respirar corretamente), valorize seu sistema respiratório que está envolvido na vocalização, estude sobre isto, valorize suas pregas vocais, não as maltratem, elas são instrumentos valiosos para o contar histórias. Uma oficina de voz é bem recebida na formação de um contador de histórias.

PREPARO PARA CONTAR HISTÓRIAS


 
Cuidado com a voz;

 Postura, anatomia e fisiologia (músculos vocais, diafragma ), relaxamento;

Ambiente ( identifique a acústica do local, o conforto do seu público, a quantidade de pessoas envolvidas , apresentação ( valorize o seu aspecto e conforto);

Tenha segurança com o conhecimento do texto e da reciprocidade do seu público alvo.

INTRODUÇÃO NA HISTÓRIA

O que é preciso para darmos início à história? A introdução de cada história é o começo da relação do contador de histórias com o seu público, assim você tem uma missão importante, seduza, conquiste, concentre e envolva o seu público alvo, garanto que desta maneira ao começarmos, teremos como conseqüência um meio e um fim espetacular. Como você começa a sua história? No início pode ser que você possa ter modelos que já fazem sucesso, pode imitá-los, pois com a prática e familiarização com as obras, você mesmo sem sentir estará desenvolvendo a sua própria maneira que com certeza te deixará a vontade e te direcionará ao sucesso.

 O QUE CONTÊM UMA HISTÓRIA

Podemos sinalizar o início, meio e fim, não necessariamente nesta ordem. No início, por experiência própria, é bom respeitarmos esta ordem, quando nos sentirmos mais seguros poderemos mudar, adaptar, e até gerar uma maravilhosa confusão, desde que tenhamos a capacidade de conclusão  e clareza aliada ao respeito ao autor e ao público.Devemos lembrar que textos clássicos sofreram diversas adaptações, assim, quando escolhermos esta literatura para contarmos, é interessante que possamos ter o conhecimento de várias adaptações, assim não seremos pegos de surpresa pelo nosso público, quando na interação um interlocutor relatar que não é bem assim.(A criança é fiel ao bom contador de história, se este a convenceu e conquistou, a história será defendida com unhas e dentes pela criança).

Podemos dizer que um bom contador de histórias é um apaixonado por livros e consegue passar adiante este amor para o seu público, assim estabelecemos a importância de amarmos os livros. Aí vem algumas perguntas: Quem tem uma biblioteca em casa? A criança percebe os pais lendo livros?Se ganha mais brinquedos do que livros?Existe leitura conjunta de pais e filhos?Em que estado de conservação encontram-se os livros? Bom, se temos a consciência de que a nossa formação depende dos livros, somos responsáveis por termos as respostas a essas perguntas e temos a obrigação de perguntarmos e obtermos estas do nosso público de todas as idades.

 PRIMEIROS CONTATOS COM O LIVRO

Abramovich ( 2001) nos relata que o primeiro contato da criança com o texto é feito oralmente, através da voz dos pais, avós, tios .. e Morais (1996) reforça que,  a  audição de livros é o primeiro passo para a leitura …

Consideramos ainda que o exemplo e a imitação de crianças pelos adultos também consiste em fator importante para o futuro leitor e  o indivíduo falante. Vemos crianças imitando os pais, pegando o jornal, o livro que mesmo pesado e complexo já faz parte de sua admiração, desenvolvem o interesse, curiosidade pela leitura e cuidado por estes.

 

TRABALHANDO O TEXTO

Quando escolhemos o texto, temos por obrigação conhecê-lo bem, cada personagem deve ser o indivíduo bem conhecido nosso e íntimo, saber de características, fatos detalhados e até prever a reação destes, deve ser essencial para o desenvolvimento de uma determinada história. Vamos ver aqui um exemplo de duas histórias bem conhecidas.

Chapeuzinho Vermelho

       Era uma vez uma menina tão doce e meiga, que todos gostavam dela. A avó, então, a adorava, e não sabia mais que presente dar a criança para agradá-la.

Um dia presenteou-a com um chapeuzinho de veludo vermelho.

O chapeuzinho agradou tanto à menina, que ela não queria mais saber de usar outro. Não o tirava nem para dormir. Por causa disso, ficou conhecida como Chapeuzinho Vermelho.

 

Ao observarmos esta adaptação, podemos, com clareza ,ter recurso para explicar e detalhar ao público o porquê da menina da história ser chamada de Chapeuzinho Vermelho.

 

Vamos avaliar agora as características de cada personagem de Alice, assim entenderemos a importância de cada um e o significado de cada comportamento.

Personagens:

       Alice- é a protagonista da história, e vai fazendo considerações

…à medida que sua aventura prossegue.

       Coelho Branco – é quem inicia a aventura, quando Alice o segue até a toca. Ele carrega um relógio e parece estar muito atrasado para alguma coisa.

       Lebre de Março, Arganaz e Chapeleiro Maluco, totalmente loucos (como todos os moradores do País das Maravilhas, segundo o Gato Risonho). Sempre estão tomando chá, porque, segundo eles, o Chapeleiro brigou com o tempo e sempre são 6 horas da tarde para eles. O Chapeleiro aparentemente teve problemas com a Rainha ao tocar uma música em sua presença. O Arganaz está sempre dormindo, e ocasionalmente acorda durante alguns segundos.

       Rei e Rainha de Copas – A Rainha vive mandando que seus criados (cartas de baralho) cortem a cabeça de todos os seus convidados, mas o Grifo disse que isso é apenas fantasia dela. Ela é raivosa e autoritária. O rei tem menos influência do que ela.

       Duquesa – Muito feia. Concordava com tudo que Alice dizia e sempre achava a moral de cada coisa, embora raramente uma coisa tivesse relação com a outra.

 

O contador de histórias é curioso, é pesquisador, é invasor da privacidade de cada personagem, assim, ele será e estará seguro em suas atividades. Ele deve ter todas as informações possíveis e inimagináveis de cada personagem, se ele é especialista, vai além, ele sabe até sobre o autor da obra.

 

O QUE VEM NA MINHA HISTÓRIA?

Às vezes temos obras que já nos trazem elementos prontos de narração, porém o contador de histórias tem a liberdade de recontá-la utilizando de diversos recursos de nossa língua e linguagem. Estamos falando de ESTILÍSTICA – Figuras de Pensamento:

          HIPÉRBOLE

. Caracteriza-se pelo exagero da linguagem, a fim de intensificar uma ideia.

          PROSOPOPEIA, PERSONIFICAÇÃO OU ANIMIZAÇÃO

. Consiste na atribuição de características humanas a seres inanimados ou irracionais.

          ONOMATOPEIA

. É uma figura de linguagem na qual se imita um som, com um fonema ou palavras. Ruídos, gritos, canto de animais, sons da natureza, barulho de máquinas, o timbre da voz humana fazem parte do universo das onomatopéias.

          PLEONASMOS

. Consiste na repetição de um termo, para realçar seu sentido.

 

HISTÓRIA E CONSTRUÇAÕ PEDAGÓGICA

Hoje podemos dizer que não temos uma dissociação da História e da Construção Pedagógica e vice versa. Por isso temos que valorizar: Qualidade de criação,estrutura da narrativa,adequação às convenções do português escrito,o despertar do interesse da criança e a simplicidade do texto.Com esses elementos a História é como o seu objetivo: um aprendizado para o Contador e para o seu público.

 

QUAL O SEGREDO PARA SE CONTAR HISTÓRIAS?

Curta a história (goste do que você está passando), evite adaptações que fujam da realidade do texto, não explique demais (você poderá estar subestimando o seu público), lembre-se que História é ponto de encontro e ao mesmo tempo o ponto de partida, valorize o moral da História, discuta, interaja e valorize ideias e ações. Comente a história, pergunte, dê modalidade e possibilidade da voz (quando se tem a técnica de modificação de voz e caracterização de personagens por esta, consegue-se dar vida e ação a narração),dê pausas,faça o mistério, suspense e acima de tudo, vibre com o final ou o novo início…

 

EXPLORANDO OS GÊNEROS

Temos uma vastidão de possibilidades e exploração de diversos gêneros, vamos relembrar:

          Fábula

Lat.fari = falar Greg.phaó = dizer, contar, origem * Oriente

Ocidente Esopo (VI a.c.)

Enriquece – Fedro (I a.c.)

Século XVI – Leonardo da Vinci

XVII – La Fontaine

            Gênero narrativo ficcional popular (2800 anos)

          O Apólogo

         Greg. apo = sobre; logos = discurso

          Seres inanimados – O carvalho e a cana

    .  Parábola

          Ensinamento moral ou espiritual

    .  O  mito

      Seres fabulosos e sobrenatural

          A Lenda

Lat. Legenda, legere = ler

     – Tradição, o maravilhoso e o imaginário superam o histórico e o verdadeiro.              Folclore

     .  O Conto

     – Texto curto com gêneros narrativos ficcionais, com poucos personagens, poucas     ações, tempo e espaço

 Conto Maravilhoso ( Poderes sobrenaturais, defronta-se o Bem e o Mal:

As mil e Uma Noites, Aladim, Músicos de Bremen, O Gato de Botas)

 Conto de Fadas (Espiritual/Ética/Existencial)

Lat. Fatum = destino. FADA : Realização de sonhos ou ideais inerentes à condição humana.

 

RECURSOS UTILIZADOS PELO CONTADOR DE HISTÓRIAS

. O livro ( é sempre bom mostrar o livro e informar quem é o autor), a narrativa, o objeto (objetos com lápis, canetas, borrachas, soros, seringas podem representar o personagem com movimentos), a  roupa (existem aventais que trazem cenários e bonecos que em bolsos, podem percorrer durante a narração de histórias), gravuras, bonecos,  música ( a música pode ser a própria narração ou você pode transformar),  Teatro contado ( O contador se torna o narrador)

 

GRAVURAS NA CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS

O público neste aspecto determina a gravura no seu tipo e complexidade respeitando-se assim as fases de maturidade fisiológica de visão e percepção. As gravuras mudam e adquirem complexidade de acordo com a idade.

Observem:

PECEPÇÃO VISUAL – FIGURAS

Aos dois anos de idade, o aparato visual está maduro.

 A pupila está próxima do seu peso e tamanhos adultos. Todos os aspectos anatômicos e fisiológicos do olho estão completos, porém, as habilidades perceptivas das crianças ainda estão incompletas.

 Embora sejam capazes de fixar os olhos em objetos (…), e fazer avaliações precisas de tamanho e forma, numerosos refinamentos ainda precisam ser feitos. (…) A percepção da criança é deficientemente desenvolvida (…) em nível de plano e percepção de distância.

Acuidade visual (capacidade de distinguir pormenores) – 5 a 10 a.

    Amadurecimento – 10-11 a.

.  Percepção do nível plano (separar figuras do fundo) – difícil na pré-escola – bom desenvolvimento. 7-8 a. – amadurece 12 a.

. Percepção de profundidade (tamanhos, cores, textura, convergência, sobreposição, proporção e perspectiva ) – 7 a. – maturidade 12 a.

Assim entendemos como crianças se encantam com imagens referentes à sua idade. Vamos lembrar-nos do filme e livros POCOIÓ, que atende crianças menores, o cenário é branco com poucos elementos e o personagem é colorido e destacado. Na medida em que a criança cresce a complexidade do cenário e dos personagens modifica-se e os instiga.

 

DESENVOLVIMENTO COGNITIVO

Devemos levar em consideração o desenvolvimento cognitivo em adaptações de nossas histórias, Jean Piaget retrata bem este:

. Sensório motor – 0 a 2 a.

. Pré-operacional – pré-escolar – 2 a 7a.

. Operatório concreto – 7 aos 11a.

. Operatório formal – a partir dos 12a.

Um outro fator a ser considerado, é que o Contador de Histórias ele é inclusivo, por isso ele está presente em hospitais, abrigos de idosos, em ONGs, porque não dizer em todos os locais, cabendo a ele ter a sensibilidade de adaptação e a delicadeza de incluir a todos no processo da História, valorizando o respeito e a interação conjunta.Muitas das vezes o desenvolvimento  cognitivo é variado e afetado em um público que muitas  vezes é heterogêneo, cabe ao contador perceber, adequar e não deixar ninguém fora do seu processo.

 

O COMPROMISSO DO CONTADOR DE HISTÓRIAS

O Contador de Histórias tem um compromisso ético com o autor de histórias e com a cultura, credo, costumes, lendas, folclore e mitos. Não cabe a ele ironizar, erotizar, desvirtuar, nem tão pouco ridicularizar uma obra ou personagem. Vemos que existem muitas produções cinematográficas que modificam histórias em seus gêneros ou dão continuidade a estas com modificações que possam modificar toda uma obra. Assim o compromisso e a responsabilidade são grandes, crianças que nunca tiveram contato com a história inicial, ou que não estejam em maturidade de compreensão podem não se  inserirem no contexto.

 

FIM PARA UM RECOMEÇO !!!….

Lembrem-se: 18 de abril – Dia Nacional do Livro Infantil

 

Kilder Alves