Trabalhos Científicos Desenvolvidos

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COMBATENDO O PRECONCEITO SOBRE O CÂNCER

 INTERVENÇÕES INTERDISCIPLINARES NA DESMISTIFICAÇÃO DOS PRECONCEITOS DIANTE DO CÂNCER INFANTIL

Projeto de Pesquisa apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Ensino das Ciências da Universidade Federal Rural de Pernambuco como parte dos requisitos exigidos para obtenção da certificação do Curso de Especialização em Ensino das Ciências
Autores: José Roberto Tavares de Lima; Kátia Cunha de Barros; Kilder Henrique Guimarães Alves; Robson Oliveira Queiroz ;Orientador:João Gilberto de Farias Silva.
Recife, agosto de 2005

RESUMO

 O Mundo Contemporâneo está repleto de novas tecnologias e avanços no conhecimento em todas as áreas. Mesmo diante deste desenvolvimento, as pessoas continuam apresentando um comportamento primitivo e de ignorância perante a ocorrência do câncer em um ente de seu seio social, fruto do preconceito e do desconhecimento científico da doença. O objetivo geral da nossa investigação é  analisar as alterações no conhecimento e nos preconceitos sobre o Câncer através de uma intervenção interdisciplinar aliando o conhecimento e a realidade, associando a ética e a cidadania. Diante do objeto de pesquisa podemos destacar a hipótese de nossa pesquisa como sendo: Uma intervenção interdisciplinar trabalhando com o conhecimento científico sobre o Câncer Infantil possibilita a reconstrução de conceitos. O projeto foi realizado com alunos do ensino médio e constou de várias etapas. Foi realizado um teste diagnóstico para detectar os possíveis preconceitos, em seguida uma palestra com uma profissional da área de saúde e os professores envolvidos na atividade. No terceiro encontro formou-se uma mesa redonda interdisciplinar envolvendo as disciplinas Física, Química e Biologia para serem trabalhadas em conjunto com as dúvidas mais significativas dos alunos. Na seqüência, em sala de aula, dando sustentação teórica ao projeto, foi realizado um aprofundamento conceitual. Após visitas a hospitais e participação em um evento beneficente (Mc Dia Feliz) promovido pelo Nacc, foram recolhidos relatórios contendo argumentação científica e a aplicação de um segundo teste diagnóstico. Percebemos que apesar da maioria já terem tido contato com uma pessoa portadora da doença, esta proximidade não assegurou um conhecimento prévio sobre o tema. A ignorância era tamanha a ponto de que vários achavam que o câncer tinha caráter contagioso, além de que a condição social era um fator de predisposição ao câncer.  Após a atividade interdisciplinar a mudança foi bastante expressiva. As concepções sobre o fator da condição social e do fator contagioso teve uma diminuição intensa.
A intervenção interdisciplinar e a pesquisa de campo evidenciou uma mudança na estrutura cognitiva do aluno, provando assim que um prática construtivista, norteada nos estudos de Vygotsky, bem com uma aprendizagem significativa baseada em Ausubel podem resultar em um aprendizado consistente. Recomendamos um trabalho interdisciplinar. Seus resultados são animadores e apontam para uma sala de aula mais dinâmica e participativa, onde os conceitos são construídos ou reconstruídos de forma significativa.

Palavras-chave: câncer infantil, interdisciplinaridade, preconceitos, radioterapia.

INTRODUÇÃO

A comunidade de saúde e profissionais de assistência social se mobilizam a fim de modernizar o significado do tratamento do Câncer Infantil como uma fase do processo de cura e vida, substituindo na maioria das sociedades o antigo conceito da doença, que trazia toda uma carga de negatividade. A doença não se constituía objeto de preocupação social, antes, as crianças eram tratadas com atitudes filantrópicas e benevolentes com o intento de ocultar os valores negativos que a sociedade que se modernizava lhe impunha.
Atualmente a doença passa a ser objeto de cuidado e atenção especiais, que eram inexistentes no passado. A mudança que vem se observando nas relações que a sociedade estabelece com a doença, não se verifica apenas pela mudança de valores, mas pelo aumento da esperança de vida devido ao progresso da medicina que com todo o seu aparato tecnológico enfrenta as doenças crônicas favorecendo a sobrevida e contribuindo dessa forma como um dos fatores para o aumento significativo da cura.
Segundo as informações do Instituto do Câncer Infantil – RS através do médico Cláudio Galvão de Castro Jr.:
O Câncer infantil é raro. Estima-se que anualmente cerca de 16 casos novos de câncer para cada 100.000 crianças e adolescentes com idade inferior a 21 anos ocorram no Brasil afetando indivíduos de todas as classes sociais e etnias.  Os tipos de câncer que acometem as crianças também são muito diferentes daqueles que ocorrem nos adultos. O índice de cura do câncer infantil situa-se em torno de 70% dos casos. Algumas doenças têm índices superiores a 90%.
Diferente do câncer no adulto, o câncer infantil tem poucos fatores de risco conhecidos. Sabe-se, por exemplo, que no adulto, o tabagismo aumenta a incidência de câncer de pulmão. Na criança existem poucos fatores ligados ao aparecimento de tumores. Em alguns tipos há uma associação com infecções por vírus e outros podem estar ligados a uma predisposição familiar. Provavelmente vários componentes estão ligados ao aparecimento do tumor, como predisposição genética, infecções, exposição a fatores externos como alimentação e outros. Algumas crianças podem nascer com a doença. A presença de outros casos de câncer na família maioria das vezes não é fator de risco para o câncer infantil.
Por mais que hoje as pessoas possuam mais conhecimento e tenham melhores perspectivas para o tratamento do Câncer, persiste um comportamento da maioria dos seres humanos de afastamento e de falta de comprometimento com a causa, muitas vezes influenciada por uma visão preconceituosa devido as interferências sociais e por desconhecimento científico.
Dentro deste contexto de percepção preconceituosa, influenciada pela falta de contato com a literatura científica, não seria inoportuna a interferência da escola numa mudança desta postura social e na formação da cidadania de nossos adolescentes. Surge a dúvida natural para os educadores: de que forma podemos atuar para modificar este quadro? O conhecimento pode contribuir para a concepção da responsabilidade social?
No ambiente escolar, pela dificuldade de articulações entre as disciplinas trabalhadas no currículo do ensino médio e em função da formação dos profissionais de ensino, a interdisciplinaridade é considerada algo irreal e inatingível. O ensino ocorre isoladamente com atividades independentes nas diversas disciplinas que são julgadas como não se inter-relacionassem nos fenômenos naturais que nos cercam. A dinâmica do estudo das disciplinas no nosso cotidiano, o preconceito aliado a ignorância, e a não capacitação de profissionais que possam conduzir de forma cognitiva as relações interdisciplinares, demonstram a dificuldade da realização de uma didática construtiva e benéfica para o conhecimento em todas as áreas que se relacionam.
Neste trabalho visamos desvendar a possibilidade de uma abordagem interdisciplinar relacionando e aplicando ao conhecimento dos tratamentos do câncer, tentando romper preconceitos e dificuldades de articulações das diversas disciplinas no processo ensino-aprendizagem. Interessamos-nos também caracterizar a ética e humanização do ser diante do CÂNCER, desmistificando e estimulando a cidadania no trabalho voluntário. Unindo as Ciências (Física, Biologia e a Química), a abordagem sobre o câncer desde o seu surgimento, controle e cura ficará entendida e aplicada com novas relações e valorização do conhecimento amplo que a interdisciplinaridade nos permite vislumbrar.
O objetivo geral da nossa investigação é de analisar as alterações no conhecimento e os preconceitos sobre o Câncer através de uma intervenção interdisciplinar aliando o conhecimento e a realidade, associando a ética e a cidadania.
Podemos relacionar os seguintes objetivos específicos da pesquisa:
– Comparar os conhecimentos anteriores e posteriores do aluno sobre o tema e relacioná-los, construindo um perfil fruto da intervenção interdisciplinar e da construção da cidadania.
– Identificar o estímulo e o interesse do aluno pela pesquisa nas diversas disciplinas caracterizando-se assim uma metodologia interdisciplinar na prática didática.
– Valorizar o trabalho em grupo no serviço voluntariado como forma de crescimento e aquisição de conhecimentos.
Diante do objeto de pesquisa podemos destacar a hipótese de nossa investigação como sendo: Uma intervenção interdisciplinar trabalhando com o conhecimento científico sobre o Câncer Infantil possibilita a reconstrução de conceitos.
 

1.CÂNCER INFANTIL: CONCEITOS E PRECONCEITOS
 
1.1. Os preconceitos, mitos e idéias errôneas.
O preconceito, pela própria semântica, nos dá um significado de um pré-conceito, ou melhor, um conceito já formado que carregamos conosco e que muitas vezes obstruem nosso pensamento impedindo que novas idéias ou conceitos possam ser compreendidos de maneira imparcial. É importante destacar que este termo carrega atualmente um significado negativista, ou seja, está associado à impossibilidade de mudanças saudáveis, porém não é sempre assim, pois possuímos conceitos anteriores que estruturam a nossa base de conhecimentos os quais não necessariamente impedem a nossa visão da realidade. Não podemos desprezar que as atitudes e o comportamento cotidiano são frutos dos pensamentos pré-concebidos.

Os preconceitos sempre desempenharam uma função importante também em esferas que, por sua universalidade, encontram-se acima da cotidianidade; mas não procedem essencialmente dessas esferas, nem aumentam sua eficácia; ao contrário, não só a diminuem como obstaculizam o aproveitamento das disponibilidades que elas comportam. Quem não se liberta de seus preconceitos artísticos, científicos e políticos acaba fracassando, inclusive pessoalmente.
A estrutura pragmática da vida cotidiana tem conseqüências mais problemáticas quando se coloca em jogo a orientação nas relações sociais. Na maioria das vezes, embora decerto nem sempre, o homem costuma orientar-se num complexo social dado através das normas, dos estereótipos (e, portanto, das ultrageneralizações), de sua integração primária (sua classe, camada, nação). No maior numero dos casos, é precisamente assimilação dessas normas que lhe garante o êxito. Essa é a raiz do conformismo. Todo homem necessita, inevitavelmente, de uma certa dose de conformidade. Mas essa conformidade converte-se em conformismo quando o indivíduo não aproveita as possibilidades individuais de movimento, objetivamente presentes na vida cotidiana de sua sociedade, caso em que as motivações de conformidade da vida cotidiana penetram nas formas não cotidianas de atividade  (HELLER,1970,p. 46).

A pré-concepção é uma forma enviesada de se perceber o outro. Tal sentimento reside no homem e pode eliminar sonhos e inibir vidas. Vivemos num mundo inibidor de valores em que os preconceitos e a hipocrisia permeiam as relações humanas, tornando-nos menores em nossas existências. O autor (ibidem) salienta que:
A história é a substância da sociedade. A sociedade não dispõe de nenhuma substância além do homem, pois os homens são os portadores da objetividade social, cabendo-lhes exclusivamente a construção e transmissão de cada estrutura social. Mas essa substância não pode ser o indivíduo  humano, já que esse – embora a individualidade seja a totalidade de suas relações sociais – não pode jamais conter a infinitude extensiva das relações sociais. (p. 02 )
O autor prossegue:
O preconceito pode ser individual ou social. O homem pode estar tão cheio de preconceitos com relação a uma pessoa ou instituição concreta que não lhe faça absolutamente falta a fonte social do conteúdo do preconceito. Mas a maioria de nossos preconceitos tem um caráter mediata ou imediatamente social. Portanto, os preconceitos, são obra da própria integração social que experimenta suas reais possibilidades de movimento mediante idéias e ideologias isentas de preconceitos. O desprezo pelo outro, a antipatia pelo diferente, são tão antigos quanto a própria humanidade.
O homem predisposto ao preconceito rotula o que tem diante de si e o enquadra numa estereotipia de grupo. Ao fazer isso, habitualmente passa por cima das propriedades do individuo que não coincidem com as do grupo. Mesmo quando chega a percebe-las, registra-as como se tivessem produzido apesar da integração do indivíduo em seu grupo, contra sua integração. (p. 57 )
As pessoas estão sendo vítimas do embrutecimento que podem torná-las insensíveis e desprovidas de seus melhores sentimentos.

1.2. O preconceito sobre o câncer infantil.
Algumas pessoas até evitam pronunciar a palavra, dizendo “aquela doença” ou “aquilo”. Infelizmente, comportamentos como esse somente contribuem para aumentar a desinformação a respeito da doença e a estigmatizar a pessoa com câncer, tratando-a como alguém que deve ser escondida ou isolada. A ignorância em relação à doença pode fazer com que amigos ou familiares se afastem do doente, ou que a tratem de maneira diferente da usual. Isso pode prejudicar não somente o emocional e psicológico, mas também o físico. O Câncer não é uma doença contagiosa. Tais preconceitos que pesam sobre a doença, estes podem funcionar como fatores negativos reprimindo a expressão dos potenciais e contribuindo para o enfraquecimento da capacidade de auto-regulação do organismo.
O paciente pode ser estimulado em sua capacidade e criatividade. Felizmente o tratamento do câncer está cada dia mais humanizado. A auto-estima do paciente é fator importante e tem sido cada dia mais prioritário. Estudos indicam que quanto melhor a auto-estima, o paciente se sente mais seguro e adere com mais eficácia ao tratamento.
A escola não foge da realidade da convivência com o câncer, seja ela com o seu aluno, parentes próximos, amigos, professores, funcionários e direção. Desta forma, observa-se um despreparo e manifestações preconceituosas no lidar com esta situação. O ambiente escolar deve estar preparado para exercer um papel importante nesse processo de resgate da auto-estima do paciente e da família. È muito importante que o paciente e a família façam planos para o momento de alta médica. Ou seja, acreditem na vida e na recuperação após o tratamento. Como nestes momentos a escola faz parte desta realidade, é necessário que o espaço escolar cumpra a sua função de acolhimento social e formação intelectual sem constrangimentos e comportamentos inadequados. Não deixar que o aluno se feche, fique sozinho, e manter a convivência com os amigos e professores ajudam na socialização.
A falta de conhecimento gera um preconceito cruel e insano, o aluno passa a achar que uma vez portador do câncer o seu futuro será a morte e, uma morte imediata e sofrida, desconhecendo assim qualquer forma de tratamento ou cura. A história nos mostra que concepções pré-estabelecidas são perigosas e quase sempre errôneas. No caso do câncer infantil, o fato dele acontecer em indivíduos tão pequenos e frágeis ajuda a aumentar este estigma. Passasse a achar que não existiriam forças suficientes para uma recuperação satisfatória. Torna-se um desafio transformar o conhecimento prévio do aluno, salientando que uma atividade interdisciplinar deve ampliar a sua visão de mundo ajudando a derrubar qualquer tipo de preconceito e mudando suas atitudes.

1.3. O papel de uma intervenção interdisciplinar: desaprendendo os preconceitos.
Diante do reconhecimento dos preconceitos inerentes nos adolescentes perante o câncer infantil e das dificuldades de resignificação de idéias errôneas sobre a doença, tratamento e possibilidades de cura, o desafio da sociedade é de encontrar alternativas e ações que possam modificar a estrutura do pensamento e de atitudes deste jovem.
Desta forma, o ambiente escolar torna-se um lugar propício e conveniente para uma abordagem e atuação junto a este ser social a fim de favorecer a correção de valores e dar acesso a conhecimentos capazes de desmistificar os seus preconceitos.
A grande dúvida é a forma como os profissionais da educação devem agir com  eficiência conseguindo tal intento. Dentre várias alternativas de ação pesquisamos os frutos obtidos a partir de uma intervenção interdisciplinar. A interdisciplinaridade é uma forma de superar a fragmentação do conhecimento, já que, no cotidiano escolar, evidencia-se grande dificuldade de se estabelecer relação entre educador e educando, teoria e ação. Considerando essa perspectiva, o ensino pouco tem contribuído para que os alunos construam conhecimentos globais entendendo que os conceitos das várias disciplinas possuem interligações e dependências.
Como Garrutti (2004) consegue resumir, “a interdisciplinaridade equivale à necessidade de superar a visão fragmentada da produção de conhecimento e de articular as várias partes que compõem os conhecimentos”. (p. 27)
O intenso interesse pela interdisciplinaridade é encontrado em vários estudos e, neste mesmo momento, observamos interações entre educadores de diversas disciplinas com a finalidade de buscar formas de implementações, apontando o processo de reorganização do saber, conforme evidenciam Oliveira (1998), Brasil (1999) e Fazenda (1992).
Japiassu (1976, p.52) reforça que “trata-se de um gigantesco mas indispensável esforço que muitos pesquisadores realizam para superar o estatuto de fixidez das disciplinas e para fazê-las convergir pelo estabelecimento de elos e de pontes entre os problemas que elas colocam.”
Conscientes da função e do compromisso da escola com a formação do educando tanto no aspecto ético quanto científico, implementamos algumas atividades interdisciplinares a fim de fornecer informações capazes de reestruturar o seu pensamento. Garrutti (2004) expõe:
Nesse sentido, a escola deve abordar, fundamentalmente, questões que interferem na vida dos alunos e com as quais se confrontam cotidianamente. As problemáticas sociais como: ética, saúde, meio ambiente, pluralidade cultural e sexualidade, são conteúdos essenciais nas diversas disciplinas, independentes da área da disciplina.
Considerando o acima exposto, a interdisciplinaridade tem se transformado em idéia central para a resolução de diversos problemas.  (p.192)
Outro aspecto muito positivo de contribuição para o educando em sua aprendizagem e desenvolvimento de seus potenciais é a possibilidade de desenvolver trabalhos de pesquisa de forma coletiva, desenvolvendo assim certas sociabilizações e afloramento de habilidades necessárias para um trabalho em grupo. Perrenoud (2000) consegue nos direcionar que “uma equipe duradora tem um saber insubstituível: dar a seus membros uma ampla autonomia de concepção ou de realização cada vez que não for indispensável dar-se as mãos…”. (p. 82)
Indo de encontro às idéias e aos estudos comportamentalistas realizados em educação, Ausubel (1997) propõe que existem tipos qualitativamente diferentes de aprendizagens. Sua teoria da aprendizagem é cognitiva e, tem aplicação direta em sala de aula; isto porque ele acredita que a estrutura cognitiva dos indivíduos é um conjunto de idéias organizado hierarquicamente e, que a sala de aula é o ambiente propício para ocorrer à aprendizagem.
Para explicar o processo de aprendizagem significativa, Ausubel desenvolveu a teoria da assimilação que, basicamente, consiste em que os conceitos prévios da estrutura cognitiva devem interagir com os novos conceitos de maneira que produza modificações em ambas as estruturas e, conseqüentemente, garanta a construção de uma estrutura cognitiva altamente modificada.
Durante a pesquisa, os alunos vivenciaram necessidades de acesso a conceitos novos, principalmente a partir das palestras iniciais ministradas por profissionais da área de saúde. Estas dúvidas e os novos questionamentos despertados foram revelados em um debate com a participação dos professores das disciplinas envolvidas. Neste encontro foram trabalhadas novas referências, assim como, a reconstrução dos conceitos. O propósito das intervenções interdisciplinar implementada foi trabalhar os conceitos prévios do educando a fim de trazer significado e produzir modificações destes, permeando os vários conceitos pertencentes às diversas disciplinas antes desarticulados e fragmentados.

1.4. O câncer infantil.
Uma dura realidade – é essa a forma mais comum e a frase mais observada quando do diagnóstico do Câncer, na família, junto aos amigos e até mesmo a um desconhecido. O Câncer ainda traz o estigma de dor, angústia e sentimento de perda e piedade em grande parte da população.
O câncer como Alberts et al (1997) define seriam “Células malignas que não respeitam os limites naturais do tecido e crescem sem controle, invadindo os tecidos vizinhos” (p. 68 ) .
Células cancerosas são definidas por duas propriedades hereditárias: estas e sua progênie se reproduzem em detrimento das normais e invadem e colonizam territórios normalmente reservados para outras células. É a combinação destas características que fazem os cânceres especialmente perigosos. Uma célula anormal que não prolifera mais do que suas vizinhas normais não provocam danos significativos, independentemente de quaisquer propriedades desagradáveis que possa ter; mas, se sua proliferação está fora de controle, irá originar um tumor ou neoplasma – um crescimento incansável de uma massa de células anormais. À medida que células neoplásicas permanecem agrupadas numa massa única, o tumor é dito benigno, e a causa completa pode ser obtida pela remoção da massa cirurgicamente. Um tumor é considerado como câncer somente se for maligno, isto é, somente se estas células tiverem o poder de invadir tecidos vizinhos. Capacidade de invasão geralmente implica na habilidade de escapar, entrar na corrente sanguínea ou vasos linfáticos e formar tumores secundários, ou metástases, em outros locais do corpo. Quanto mais metástases um câncer for capaz de produzir, mais difícil a sua erradicação.
A maioria dos cânceres derivam de uma única células anormal que denominamos de tumor primário originado de um determinado órgão e presumivelmente derivado por divisão de uma única célula que sofreu alguma mudança hereditária que permite a esta crescer mais do que as vizinhas.
Quase sempre, os cânceres são provavelmente iniciados por mudança na seqüência do DNA da célula. 
Se uma única célula anormal dá origem a um tumor, esta deve passar a anormalidade para sua progênie; a aberração deve ser hereditária. O primeiro problema para compreender um câncer é descobrir se a aberração hereditária é devido a uma mudança – isto é, uma alteração na seqüência do DNA da célula – ou a mudança epigenética – isto é, uma mudança no padrão de expressão gênica sem uma mudança na seqüência do DNA. Mudanças epigenéticas hereditárias refletindo memória celular são características comuns de um desenvolvimento normal, manifestado pela estabilidade de seu estado diferenciado e pelo fenômeno de inativação de cromossomos; e não há, em principio, razão óbvia para  que  não devam estar envolvidas no câncer. Há, entretanto, boas razões para achar que a maior parte dos cânceres é iniciada por mudança genética. Assim, células de um dado câncer podem, freqüentemente, ser mostradas como tendo uma anormalidade compartilhada na sua seqüência de DNA. (Alberts, 1997)

Quando a presença do câncer está na fase infantil, várias explicações e dúvidas são levantadas: Por que na criança?  Provação para os pais? Castigo divino? Ainda perguntamos como um ser tão pequeno, inocente, até mesmo vitimado antes de um ano de vida pode estar com esta enfermidade?
Hoje, o Câncer nos traz estatísticas novas não só no fator letalidade, como no diagnóstico, tratamento e cura. Os desafios contra a doença iniciam a cada dia uma luta para a medicina, que se moderniza e avança, modificando idéias, conceitos e preconceitos.
A ocorrência do câncer infantil, de modo geral, em relação ao adulto é um fato raro. Caso a suspeita e diagnóstico sejam precoces, desde que encaminhado a um centro especializado com profissionais capacitados de forma multidisciplinar com experiência, garantindo o melhor  tratamento, cuidados de suporte e de reabilitação, pode ter maiores chances de cura e melhora da qualidade de vida dos pacientes.
Constantemente, a literatura médica contribui com atualizações, técnicas e procedimentos que venham a facilitar e conduzir a cura para o Câncer. Existe uma diferença na visão geral do tratamento do Câncer infantil em relação ao adulto como relata Sasse (2004):
“No adulto, nem sempre o objetivo do tratamento é a cura, pois leva em conta a idade e o estágio do tumor e se enfatiza muito a qualidade de vida. Se para uma pessoa de 70 anos, que já construiu sua vida, cinco anos a mais de vida, podendo comer, andar e fazer coisas que dão prazer podem significar o sucesso do tratamento, isto não é valido no tratamento do Câncer infantil.” (p.01).
O objetivo do tratamento do Câncer infantil é a cura, recuperação e reintegração do jovem a sociedade e ao amor próprio. É interessante que o jovem volte a participar da sociedade, que possa se desenvolver, entrar no mercado de trabalho competitivo e venha a constituir sua família, isto é voltar a viver sua vida ou mesmo a ter uma nova vida. Com este objetivo, o tratamento do Câncer infantil é mais agressivo e prolongado em qualquer estágio, quando isto não é possível a qualidade de vida é a condução e o direcionamento realizado.
As causas do Câncer infantil, na maioria das vezes, difere das no adulto e estão geralmente relacionadas a fatores genéticos, exposição no ambiente  a agentes carcinogênicos.
Em aproximadamente 10 a 15% dos casos são reconhecidos outros casos na família, ou a criança possui alguma doença genética que confere maior propensão a determinados tipos de Câncer. Outros fatores estão associados ao aparecimento do Câncer nesta idade seriam:exposição a radiação ionizante, vírus, exposição intra-uterina a hormônio (Sasse, 2004, p.01).
Um dos fatores que impedem o diagnóstico precoce no Câncer infantil é a difícil realidade das condições e falta de assistência médica à criança e ao jovem, como um acompanhamento periódico por um pediatra como recomenda a Organização Mundial de Saúde – OMS para a população em geral.
Ainda observamos a migração de muitas crianças e jovens que vem do interior com o diagnóstico tardio, sem terem iniciado o tratamento e assistência adequada para a doença. Sempre é visto associado a esta realidade, a desnutrição e a falta de condições básicas de higiene. Centros especializados e profissionais especialistas, em determinadas localidades inexistem, daí a importância dos centros de apoio ao tratamento do Câncer, que favorecem suporte de moradia, alimentação e socialização com reabilitação dos pacientes e seus familiares, que muitas vezes são originados do interior e de outros estados.
No estado de Pernambuco a proporção de pessoas portadoras de algum tipo de câncer é de 75% vindas do interior do estado, 15% do Recife (região metropolitana) e 9% de outros estados.
Os centros médicos de referência na rede pública são o Instituto Materno Infantil (IMIP), Hospital Osvaldo Cruz e Hospital do Câncer. (NACC, 2005 ,p.02)
Na realidade o Câncer possui um estigma aliado a ignorância de que não possui cura, tratamento e até mesmo ainda se afirma que é contagioso. Nos cabe como educadores que somos, contribuirmos para esta desmistificação, informando e educando nossa sociedade para revertermos essa chaga da ignorância, demonstrando que existe a possibilidade de cura, devemos desenvolver a sensibilidade aliada ao conhecimento para modificação desta realidade que não é distante de todos nós. Segundo informações do NACC – Núcleo de Apoio a Criança com Câncer (2005) “A maioria dos tumores da infância é curável, sendo que o prognóstico está fortemente ligado ao tipo do tumor, extensão da doença, ao diagnostico e eficácia do tratamento” (p. 02).
O diagnóstico muito das vezes pode ser mascarado pela semelhança de manifestações comuns a outras enfermidades. Um especialista é fundamental, cuja sensibilidade e experiência possam diferenciar as enfermidades e relacioná-las ou não ao Câncer. Entre as manifestações mais comuns observamos:
–  Palidez, anemia
–  Petequias ou equimoses espontâneas, não ligadas a traumas
–  Febres baixas, diárias, de origem persistentes, sem historia de trauma local
–  Perda de peso
–  Sudorese noturna
–  Dor óssea ou nas juntas persistente, sem história de trauma local
–  Aumento persistente, progressivo e indolor de linfonodos (ínguas)
–  Massa abdominal ou em tecidos moles
–  Dor de cabeça com dificuldade para andar e vômitos associados à alimentação
–  Mancha brilhante dentro do olho (tipo olho de gato)

Tumores mais comuns na infância:
–  Leucemia linfoblástica aguda
–  Leucemia mielocítica aguda
–  Tumores cerebrais: gliomas, astrocitomas cerebelar e cerebral, medulobalstoma
–  Sarcoma de Ewing ou tumores da família Ewing
–  Tumor das células germinativas
–  Linfoma de Hodgkin
–  Linfoma de não  Hodgkin
–  Neuroblastoma
–  Câncer hepático
–  Osteossarcoma/ Histiocitoma fibroso maligno do osso
–  Retinoblastoma
–  Rabdomiossarcoma
–  Tumor de Wilms
–  Sarcoma de tecidos moles

O tratamento do Câncer infantil envolve a cirurgia, quimioterapia e radioterapia isoladamente ou associados dependendo do tipo de Câncer a ser tratado. Existe muita diferença no tratamento do jovem em relação ao adulto, o jovem está em fase de crescimento, inúmeras mitoses ocorrem neste organismo, conseqüentemente a possibilidade de aumento de células cancerígenas também é maior, muitas das vezes o tratamento na forma infantil pode durar vários anos de convivência do jovem junto a equipe médica. A radioterapia e a utilização de drogas de efeito tóxico ao organismo poderão trazer conseqüências para o desenvolvimento da criança.
Radioterapia e mesmo o uso de quimioterapia ao organismo podem levar, a longo prazo, a conseqüências desastrosas para o futuro da criança como baixa altura ou até mesmo um segundo Câncer. Isto torna ainda mais desafiador a luta contra o Câncer e estimula a procura de novos métodos de tratamento mais eficientes e menos agressivos (Nacc, 2005, p.02).
Conviver com uma realidade e suas limitações, requer persistência e esperança. Para se persistir e lutar em busca de um futuro é necessário conhecer o campo de batalha e o inimigo a ser combatido, daí a importância do conhecimento no seu amplo aspecto. A interdisciplinaridade contribui para uma melhor avaliação de fatores e favorece com o conhecimento a solidariedade e o rompimento de preconceitos sobre o Câncer infantil.
O tratamento mais abordado no nosso projeto foi a radioterapia. A radioterapia é uma terapia da Física-Médica capaz de destruir os tumores através de radiações ionizantes ou partículas de alta energia. Devido a essa alta energia, a radiação penetra no corpo e pode destruir as células tumorais e normais. Como ela atinge diretamente o mecanismo de divisão celular sua atuação torna-se bastante eficiente na célula cancerosa que tem como característica o crescimento desordenado. Contudo, também os tecidos normais são afetados pela radiação. Portanto, a radioterapia deve prever um efeito diferencial fornecendo uma margem de segurança evitando, assim, danos a órgãos e tecidos sadios.
Geralmente a radiossensibilidade (sensibilidade à radiação) de uma célula tem a tendência de se igualar ao seu crescimento diferenciado e a sua velocidade de divisão, ou seja, quanto maior for a velocidade de divisão de uma célula e quanto maior for seu crescimento aleatório, mais sensível ela será a radiação ionizante.
Na radioterapia, utilizam-se, principalmente, os raios-X e os raios gama; mesmo não estando ainda esclarecida a maneira pela qual a energia radiante consegue exercer os seus efeitos. Citamos duas teorias: a primeira teoria é a do “alvo da ação direta” que propõe que os raios–X ou os raios gama colidam com os elétrons dos átomos da célula e, como resultado dessa colisão ocorra uma transferência de energia e os elétrons sejam deslocados de suas órbitas. Desta maneira, estes átomos são transformados em íons e esta ionização afeta não somente a estrutura morfológica da célula, mas os líquidos inter e intracelular e as substâncias neles dissolvidas. A segunda teoria é a do “alvo de ação indireta”, que supõe que após a célula ser exposta à energia radiante, tanto na água inter quanto na intracelular formam-se radicais de hidroxila e per-hidroxila livres. Esta água reativada poderia agir sobre a célula e afetar sua estrutura morfológica.
A maioria dos tumores malignos ocorre em adultos. Segundo o NACC (2005), apenas 10% dos casos são de câncer infantil. Existem vários tipos de câncer que nas crianças, geralmente, costumam se espalhar pelo corpo; já nos adultos, são mais localizados.
Apesar dos tumores em crianças apresentarem uma maior velocidade de crescimento e uma proliferação mais rápida, tornando-se assim mais sensíveis à radiação, as células normais também estão em processo de reprodução contínuo. Por isso, o tratamento com radioterapia deve ser usado com cautela, pois possibilita efeitos colaterais de maiores proporções em tecidos e órgãos em desenvolvimento.
É sabido que a irradiação altera as estruturas cromossômicas e gênicas da célula. Em vários casos ela produz o aparecimento de padrões bizarros de mitoses, mitoses múltiplas e mitoses assimétricas. Estas células são imeiáveis não sendo capazes de uma reprodução contínua.
O tratamento radioterápico pode ser feito de duas maneiras:
1 -Teleterapia (Radioterapia externa) – A radiação é feita através de ondas eletromagnéticas produzidas por uma fonte radioativa que é colocada a uma certa distância do paciente. Neste tipo de tratamento a radiação também atinge toda a estrutura que estiver no trajeto dos tumores(órgãos e tecidos).
2 -Braquiterapia (Radioterapia de contato) – A fonte radioativa é colocada em contato com o tecido a ser tratado ou nele implantado. São usados isótopos radioativos, como por exemplo, o Iodo 131 no tratamento do câncer da tireóide e cobalto 60 como emissor de radiação gama e de outras partículas de alta energia.
Embora esses isótopos se mostrem muito úteis em casos especiais, o principal recurso da radioterapia é mesmo o uso de raios Roetgen ( Raio-X) e os raios gama nos aparelhos de alta voltagem e no uso do rádio.
A eficiência do tratamento com radioterapia depende de duas variáveis:
1 . A quantidade de radiação absorvida pelo tumor – Quanto maior for a radiação por grama de tecido atingido, mais eficiente será o tratamento.
2 . A radiossensibilidade – As células em divisão são mais sensíveis à radiação do que as em repouso. Assim, a fase mais sensível do ciclo mitótico é a imediatamente anterior a prófase.
A radioterapia é geralmente bem tolerada e causa poucos efeitos colaterais; estes efeitos dependem do local irradiado e da dose recebida. Pele avermelhada, feridas na boca, diarréia, dor para urinar e boca seca são os principais efeitos colaterais.
O câncer não é contagioso, a hereditariedade ainda é objeto de estudo, mas quando descoberto a tempo seu percentual de cura está na faixa de 75%. No estado de Pernambuco são detectados cerca de 350 casos de câncer por ano.
A principal tarefa da ciência médica é fazer a balança pender para o lado da sobrevivência, aprendendo como tratar com sucesso os mais diferentes tipos de câncer.(Ferraro, 2001,p.639).

2. LEITURA DA PERCEPÇÃO SOBRE O CANCER INFANTIL POR ADOLESCENTES

2.1. Questões preliminares.
O Preconceito relacionado ao câncer infantil é reconhecido no campo da medicina e citado em trabalhos e congressos da área de saúde, porém um trabalho com a população com direcionamento e registro destas transformações não é mencionado por nenhuma literatura especializada. A necessidade de uma avaliação das transformações obtidas através da intervenção interdisciplinar desmistificando preconceitos diante do câncer infantil requer um método exploratório de análise qualitativa.
Esta pesquisa tem como público alvo turmas cujo currículo abranjam conhecimentos relacionados às áreas da Biologia, da Física e da Química necessários para entendimento do tema. A faixa etária, nível e vivência social nos trazem diferentes realidades que podem ser analisadas na detecção do preconceito social aliado ou não a ignorância científica. Através da pesquisa e interdisciplinaridade podemos avaliar o preconceito antes e depois do acesso ao conhecimento acadêmico e da oportunidade de convivência com uma realidade, a do câncer, não tão distante de todos nós.  
2.2. Procedimento metodológico.
Atendendo a necessidade de ordem cognitiva, é interessante a delimitação do público alvo da pesquisa. Diante destas características ficou apropriado o trabalho de intervenção direcionado para alunos que cursam a segunda série do Ensino Médio, pois já tiveram experiências e contato com o conhecimento da área de eletricidade, mecânica e ondulatória. Desta forma fica definido o campo de pesquisa necessário como assinala Minayo (2002):
Concebemos campo de pesquisa como o recorte que o pesquisador faz em termos de espaço, representando uma realidade empírica a ser estudada a partir das concepções teóricas que fundamentam o objeto da investigação. (p. 53).

2.2.1. Planejamento da Pesquisa.
Planificação da pesquisa

DESCRIÇÃO DAS ETAPAS 

DETALHAMENTO – Tabela I
1. Contato com as Instituições envolvidas no projeto (NACC e Hospitais) e com a Direção e Coordenação da escola.

Apresentação do Projeto de Pesquisa.
 Encontro com os responsáveis para implementação do projeto e definições de responsabilidades. Conhecer e definir os ambientes de trabalho.
 Análise dos documentos para entendimento do problema de pesquisa e confirmação do envolvimento das instituições no projeto.

2. Contatos com os alunos e aplicação de um teste diagnóstico.
Apresentação do projeto para os alunos e aplicação de um teste de sondagem dos conhecimentos prévios.

3. Palestras sobre o tema Câncer Infantil
No anfiteatro da Escola foi realizada uma palestra com a participação de profissionais da área de Oncologia Pediátrica.

4. Realização de uma Mesa Redonda

Coleta de dados 
.  Realização de uma mesa redonda com a presença do profissional palestrante e no segundo momento com os professores nas áreas de Física, Biologia e Química envolvidos no Projeto.
.  Registro das intervenções significativas observadas por parte dos alunos.
.  Lançamento da proposta de visitas as instituições envolvidas e engajamento no serviço voluntário junto ao NACC (no evento do Mc Dia feliz).

5. Aprofundamento de conteúdos
    Em sala de aula aprofundamento de conteúdos explorados na palestra no campo da Biologia, Física e Química.

6. Visitas às Instituições
Visita ao NACC. Os alunos tiveram contato com o trabalho voluntariado, os pacientes e seus familiares. Diante desta vivência ficaram sensibilizados e se engajaram como voluntários no trabalho do McDia Feliz 2004.
.  Visita a Hospitais de Referência (IMIP e Hospital Osvaldo Cruz) no Câncer Infantil nas áreas de diagnóstico e tratamento. 

7. Apresentação de Relatórios pelos alunos.
.  Entrega de relatórios dos alunos onde foi documentado de forma detalhada as etapas do projeto, com registro das sensibilizações e concepções a respeito dos temas (Câncer Infantil e radioterapia) após sua participação no projeto. Além de constar um resumo literário de natureza científica sobre o tema foi registrado depoimentos e postura crítica diante do tema.

8. Aplicação de um segundo teste diagnóstico
Aplicação de um segundo teste de sondagem dos conhecimentos do aluno após as intervenções interdisciplinares, das palestras, mesa redonda e visitas as instituições.

9. Análise de dados
Categorização de dados
Análise de dados – síntese

10. Relatório da pesquisa
Apresentação do relatório
2.2.2. Identificação dos atores: amostra.

Nossa investigação foi realizada com um grupo de oitenta (80) alunos da segunda série do Ensino Médio do Colégio Americano Batista, situado no bairro da Boa Vista (Centro) na cidade do Recife, capital de Pernambuco, durante o ano de 2004. Este grupo nos dá uma amostra cuja faixa etária é de 14 a 18 anos e de uma condição social pertencente às classes A e B.

2.3. Intervenção e pesquisa de campo.

Inicialmente de acordo com um planejamento, professores das disciplinas de Biologia, Química e Física apresentaram a proposta de um trabalho interdisciplinar sobre o tema aos alunos. Nesta apresentação foi destacada a preocupação com o comprometimento da sociedade com a causa, assim como, a importância do conhecimento científico para mudança e reconstrução de conceitos que facilitem o entendimento do processo de tratamento e possível cura.  Em seguida, foi realizado um estudo diagnóstico através de um questionário, onde foram registrados o conhecimento e os preconceitos sobre o tema na fase inicial da pesquisa.
Com a participação de profissionais da área Médica de diagnóstico, terapia, tratamento e tecnologias foi apresentado ao alunado o tema Câncer Infantil através de palestras e debates articulados pelos professores das disciplinas envolvidas. Nestes momentos foram apresentadas as propostas de visitas às instituições e hospitais; além de conhecer os trabalhos voluntários realizados no nosso estado com crianças portadoras de câncer.
Após a palestra, com as informações coletadas, formou-se uma mesa redonda envolvendo professores das três disciplinas – Física, Química e Biologia – na tentativa de esclarecer as dúvidas dos alunos. Foi exatamente neste encontro que houve o tratamento interdisciplinar sobre o tema. Vivenciamos um ambiente repleto de questionamentos sobre o câncer. Cada conceito questionado foi trabalhado em conjunto com contribuições dos professores de Física, Química e Biologia. Podemos lembrar, por exemplo, de um conceito muito requisitado – o da radioterapia. Naquele momento, o professor de Biologia deu a sua contribuição com a visão do comportamento das células e do organismo diante do tratamento radioterápico; o de Física se encarregou de dar uma abordagem do processo tecnológico e o comportamento do impacto energético do efeito desta radiação; enquanto o de Química se incumbiu de analisar as reações, influenciado pela visão especialista da sua área.
Os professores das disciplinas envolvidas também aproveitaram o encontro descrito anteriormente para explorar de forma interdisciplinar conceitos e preconceitos diante da doença, julgados como modificáveis com o acesso ao conhecimento científico.
Após a mesa redonda encontramos a necessidade de um trabalho mais aprofundado sobre alguns conceitos envolvidos. Principalmente de um replanejamento dos conteúdos, pois referências a conceitos ainda não trabalhados em séries anteriores foram bastante aflorados. Os alunos questionaram elementos que despertaram conexões entre as disciplinas e necessidades de um ensino não fragmentado. Daí, os professores levaram para os seus ambientes escolares novas informações e aplicações, tentando trabalhar com conceituações das diversas áreas do conhecimento. 
Com a intenção de avaliação do efeito das atividades interdisciplinares e outras contribuições direcionadas aos alunos, foi distribuído um segundo questionário aos alunos com as mesmas perguntas contidas no primeiro, para que houvesse o registro da sua nova impressão sobre o tema e novos posicionamentos diante do tratamento e possível cura da doença.

2.4. Respostas dos diagnósticos.

Nas Tabelas a seguir, registramos vários quadros estatísticos onde registramos a incidência das respostas obtidas a partir dos dois questionários da pesquisa um realizado antes da intervenção e outro após a vivência de todas as etapas do projeto.
Tabela 2

Definição do câncer

Registro Estatístico das respostas aos questionários diagnósticos

O que você entende por Câncer?   
 Categorias                                                     Pré-teste      Pós-teste
 Crescimento desordenado  de células defeituosas:  Pré-teste 35%, Pós -teste 60%

 Doença maligna de difícil cura: Pré-teste  35,00%, Pós-teste 0,00%
 Doença maligna que mata: Pré-teste7,50%, Pós-teste: 5%
 Doença que quando detectada cedo tem cura: Pré-teste 11,25%, Pós-teste     0,00%
 Doença perigosa que atinge pessoas de todas as idades e sexo: Pré-teste     0,00%, Pós-teste  8,75%
 Contaminação na célula: Pré-teste  0,00% , Pós-teste  1,25%
 Falha no sistema intracelular:Pré-teste  0,00%, Pós-teste 11,25%
 Tumor celular maligno: Pré-teste 0,00%, Pós-teste  7,50%
 Doença genética: Pré-teste 2,50%, Pós-teste 1,25%
 Doença com grande poder de disseminação  no corpo: Pré-teste         3,75%, Pós-teste  0,00%
Doença degenerativa: ´Pré-teste 5,00 %, Pós-teste  8,75%
       

Tabela 3
Influência genética

Você acha que o câncer é uma característica genética?   
 Categorias     SIM : Pré-tete 40,00%, Pós-teste 68,75%
                          NÃO: Pré-teste 60,00%, Pós-teste 31,25%
      
Tabela 4
Investigação de efeito contagioso

Você acha que o câncer é  contagioso?   
 Categorias:  SIM – Pré-teste:  12,50%, Pós-teste:  0,00%
                          NÃO – Pré-teste: 87,50%, Pós-teste: 100,00%
      
Tabela 5
Existência de tratamento

Você acha que existe tratamento para o câncer?   
 Categorias: SIM – Pré-teste 95,00%, Pós teste  100,00%
                        NÃO – Pré-teste   5,00%   Pós-teste    0,00%
      

Tabela 6
Fatores de predisposição

Você acha que existe maior predisposição ao câncer por   
 Categorias: IDADE  – Pré-teste 43,75%, Pós-teste 95,00%
                          SEXO – Pré-teste   36,25%, Pós-teste  88,75%
 CONDIÇÃO  SOCIAL : Pré-teste   26,25%, Pós-teste  2,50%

ALIMENTAÇÃO: Pré-teste 37,50%, Pós-teste  40,00%
 ESTRESSE: Pré-teste 41,25%, Pós-teste  88,75%
 NÃO RELACIONARAM: Pré-teste  3,75%, Pós-teste  0,00 %
      

 Tabela 7
Formas de Tratamento

Para você enumere quais as formas de tratamento para o câncer?   
 Categorias :                      Pré-teste                 Pós- teste
 QUIMIOTERAPIA – Pré-teste 91,25%, Pós-teste  97,50%
 RADIOTERAPIA – Pré-teste  50,00%, Pós-teste  96,25%
 CIRURGIA – Pré-teste 47,50%, Pós-teste 31,25%
 TRANSPLANTE – Pré-teste  0,00%, Pós-teste  31,25%
 CÉLULA TRONCO – Pré-teste  0,00%, Pós-teste  10,00%
 FISIOTERAPIA- Pré-teste  3,75%, Pós-teste 3,75%
 NÃO RELACIONA- Pré-teste 1,25%, Pós-teste  0,00%
      

Tabela 8
Investigação de convivência com doentes

Você já teve alguém próximo a você com câncer?   
 Categorias:  SIM – Pré-teste 60,00%, Pós-teste  60,00%
                         NÃO- Pós-teste 40,00%, pós-teste  40,00%
      

Tabela 9
Relação de assuntos e temas

Questão 2 :   NO ESTUDO DAS DISCIPLINAS (BIOLOGIA, QUÍMICA E FÍSICA) QUE TEMAS DESSAS MATÉRIAS VOCÊ RELACIONARIA?
Categorias: CITOLOGIA- Pré-teste 57,50%, Pós-teste  88,75%
                        RADIAÇÃO- Pré-teste  0,00 %, Pós-teste 75,00%
                        ONDAS – Pré-teste 0,00 %, Pós-teste  63,75%
                        GENÉTICA- Pré-teste  30,00%, Pós-teste  57,50%
                        BIOQUÍMICA- Pré-teste  2,50%, Pós-teste 47,50%
                        NÃO RELACIONARAM: Pré-teste 1 7,50%, Pós-teste 0,00 %
                        IMUNOLOGIA: Pré-teste  2,50%, Pós-teste 0,00 %
                        CIRCULAÇÃO: Pré-teste  1,25%, Pós-tete  0,00 %
Tabela 10
Relação com as Disciplinas
Questão 3 :   VOCÊ ACHA QUE EXISTE RELAÇÃO DA BIOLOGIA, QUÍMICA E FÍSICA NO ESTUDO, DIAGNÓSTICO, TRATAMENTO E / OU PREVENÇÃO?
Categorias : NÃO – Pré-teste 12,50%, Pós-teste  13,75%
                         SIM  -´Pré-teste 76,26%, Pós-teste   86,25%
                         QUÍMICA e FÍSICA: Pré-teste 7,50%, Pós-teste  0,00 %
                         QUÍMICA e BIOLOGIA: Pré-teste 21,25%, Pós-teste 0,00 %
                         BIOLOGIA e FÍSICA: Pré-teste 5,00%, Pós-teste     0,00 %
                         TODAS (BIOLOGIA,FÍSICA e QUÍMICA): Pré-teste 42,50%, Pós-                          teste  86,25%
                         SEM JUSTIFICATIVA: Pré-teste 11,25%, Pós-teste  0,00 %
Tabela 11
Definição de trabalho voluntário

Questão 5 :   O QUE É UM TRABALHO VOLUNTÁRIO?
Categorias: Trabalho sem remuneração de ajuda ao próximo – Pré-teste 90,00%, Pós-teste 55,00%
Trabalho realizado por afinidade para o bem,realizado com sentimento – Pré-teste  7,50%, Pós-teste 0,00 %
Participação de uma pessoa na sociedade: Pré-teste 2,50%, Pós-teste0,00 %
Realizar um trabalho social,com contribuição para a sociedade: Pré-teste     0,00 %, Pós-teste  10,00%
Fazer o bem espontâneo: Pré-teste 0,00 %, Pós-teste 22,50%
Dar sua colaboração para a sociedade com consciência e compromisso: Pré-teste 0,00 %, Pós-teste   12,50%
Tabela 12
Interesse em trabalho voluntário.

Questão 6 :   EXISTE INTERESSE DA SUA PARTE EM PARTICIPAR DE UM TRABALHO VOLUNTÁRIO?
Categorias: SIM: Pré-teste  51,25%, Pós-teste 83,75%
                        NÃO: Pré-teste  48,75%, Pós-teste 16,25%

3. ANÁLISE DOS RESULTADOS

Ao iniciarmos a nossa pesquisa, identificamos através das respostas emitidas ao primeiro questionário diagnóstico a respeito da ocorrência de convivência com alguma pessoa próxima portadora de tal enfermidade, no caso um amigo, ou conhecido ou um familiar, chegamos a obter uma demanda de 60% dos entrevistados terem respondido de forma afirmativa como podemos observar na tabela 8. Mesmo com este percentual confirmando a grande familiaridade destes jovens com o câncer em seus círculos de convivência, observamos desinformação e ingenuidade sobre as possibilidades de cura, tratamento e associação deste tema com a visão interdisciplinar. De acordo com a tabela 6, essa falta de conhecimento se notabilizou de forma acentuada na verificação de um percentual de 26,25% de alunos que achavam que a predisposição ao aparecimento da doença estava vinculada a condição social do ser humano. Ou seja, acreditavam que uma pessoa com nível social e econômico baixo, vivendo em condições modestas, possui maiores chances de desenvolver o câncer do que uma pessoa com melhores posses. Boa parte destes alunos possuíam tal percepção, porém, ocorreu uma modificação deste quadro após a intervenção, principalmente, na queda  do percentual de alunos que achavam o fator de condição social influente para 2,5%. Tal baixa de valor nos demonstra uma transformação da postura e percepção de que o fator social não seja um elemento que influencia predisposição a doença.
Outra evidência de ignorância a respeito do câncer foi encontrar na primeira avaliação diagnóstica a ocorrência de 41,25% dos alunos assinalando que o estresse é um dos fatores de predisposição ao câncer registrada na tabela 6. Porém no teste aplicado após a intervenção, o valor percentual de concordância passou para 88,75%. Houve claramente a modificação conceitual, já que os entrevistados tomaram consciência de que o modo de vida e as tensões estabelecidas pelo estresse físico e nervoso possibilitam um ambiente propício para o desenvolvimento e aparecimento da doença.
Um dos resultados que consideramos interessante para ser comentado é o aspecto sobre a concepção dos adolescentes sobre a vinculação da doença com o estudo das disciplinas, possibilitando o relacionamento entre os conceitos disciplinares. Notamos que na primeira avaliação diagnóstica de acordo com a tabela 10, o percentual de alunos que não conseguiam detectar relação de nenhuma das disciplinas Biologia, Química e a Física no estudo, diagnóstico, tratamento e ou prevenção apresentou 23,75%. Este percentual é fruto da soma dos percentuais dos alunos que responderam negativamente (12,50%) junto com aqueles que não conseguiram justificar este relacionamento entre as disciplinas (11,25%). Na segunda avaliação este percentual foi reduzido para 13,75%. Esta queda não foi o elemento mais significativo, e sim o crescimento da quantidade de alunos que concordam com o relacionamento das três disciplinas: Biologia, Química e a Física, inicialmente, registrando 42,50% e passando para 86,25% no segundo teste. Ainda verificamos que na pesquisa inicial havia uma pluralidade de possíveis conexões entre as disciplinas enxergadas pelos alunos. Ou seja, alguns achavam vínculos apenas entre Biologia e Física, outros apenas entre Química e Biologia, ou Física e Química. Apenas 42,50% conseguiam, no início, vincular conexões entre as três disciplinas. Na pesquisa final já não encontramos esta visão fragmentada e limitadora, ou seja, todos que argumentaram a confirmação de relações das disciplinas com o tema conseguiram visualizar uma consistente conexão entre as três disciplinas: Biologia, Química e a Física passou para 86,25%.
Ao avaliarmos o interesse do aluno em participar de um trabalho voluntário, a apuração nos trouxe resultados motivadores que demonstraram uma conscientização da necessidade da participação social, trazendo contribuições para o tratamento e recuperação da auto-estima do doente assistido. Em termos de valores percentuais, notamos que a quantidade de alunos que gostariam de participar de trabalhos voluntários começaram com 51,25% e, após conviverem com as ações interdisciplinares e visitas, terminaram com 83,75%.
Conforme se observa na tabela 4, no pré-teste verificamos que 12,50% dos alunos achavam que o câncer era contagioso. Enquanto, no pós-teste, percentual de alunos achando que o câncer seria contagioso caiu para 0%, mostrando assim uma evolução na sua concepção após a atividade interdisciplinar.
Os alunos ao serem questionados se achavam que o câncer era de fator genético, no pré-teste aplicado 40,00% responderam que SIM, enquanto, as respostas afirmativas passaram para 68,75% no pós-teste como observamos na tabela 3. Notamos que uma certa corrente médica defende a influência genética e a predisposição hereditária como importante fator de risco para portar a doença, enquanto outra parcela argumenta de forma contrária. Este percentual alterado é uma manifestação clara do processo de resignificado do entendimento de que o fator genético influencia a ocorrência do câncer no organismo, posicionamento defendido pelos profissionais de saúde que participaram das palestras.
Fazendo um reconhecimento dos conteúdos disciplinares envolvidos na pesquisa, os alunos demonstraram de forma espontânea um avanço e crescimento quanto a relacionar os assuntos vinculados ao tema. Daí, um bom exemplo é o caso do assunto Radiação Eletromagnética trabalhada por profissionais licenciados em física que nem foi mencionado no primeiro questionário, e no segundo registrou citação em 75% das respostas dos alunos. Outra ocorrência significativa foi a citação do assunto Ondas que também apenas aparece no segundo questionário com índices de 63,75%, demonstrando claramente a influência da intervenção sobre estes jovens reconstruindo as estruturas e as suas formações intelectuais. Não podemos esquecer de citar também o crescimento do percentual do assunto Bioquímica que cresceu de 2,5% para 47,5%.
 
4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Segundo Vygotsky, em uma intervenção interdisciplinar, cabe ao professor valorizar o ambiente social e respeitar a heterogeneidade das diversas realidades que existem em uma sala de aula. Este respeito e valorização acabam desencadeando um aprendizado sólido e eficiente. No aprendizado sócio-interacionista não ocorre, simplesmente, uma soma de fatores naturais e fatores adquiridos pelo aluno e sim uma interação dialética entre o homem e o meio sócio-cultural no qual ele se encontra inserido (REGO, 1999). O conhecimento é desenvolvido de acordo com uma avaliação do meio, o individuo aprende e este aprendizado gera o seu desenvolvimento, o sujeito se torna responsável direto pelo seu aprendizado.
A intervenção interdisciplinar contribuiu para ampliar a nossa visão no processo ensino-aprendizagem. Verificamos a necessidade de investigar a organização e a funcionalidade dos conteúdos e os conhecimentos prévios dos alunos, pois os professores desempenham um papel fundamental de educadores, organizando e estabelecendo situações e atividades que sejam realizadas pelos alunos de forma significativa despertando os interesses deles em aprender significativamente.
Os professores mobilizaram, nos alunos, o desejo de saber que foi resultado da identificação do aluno com a causa. A transmissão do conhecimento foi além das questões dos saberes, ela repercutiu efetivamente sobre a elaboração da postura crítica dos participantes.
O desejo de saber propiciou interesse e motivação. Os alunos se apropriaram também desse sentimento, interagindo com professores, médicos e pacientes. É importante salientarmos aqui a afetividade, sentimento que envolve o outro e que foi ponto fundamental na relação Professor – aluno.
Realmente um conjunto de atividades de estudos e pesquisa vivenciado num olhar interdisciplinar conseguiu evidenciar uma ampliação na capacidade de relacionamentos entre os conteúdos das diversas disciplinas envolvidas no tema. Visualizamos estudantes entusiasmados que conseguiram enxergar conexões entre conceitos das disciplinas Física, Química e Biologia. Notamos um crescimento na motivação dos grupos participantes em descobrir novas informações, participar dos trabalhos e avaliar seus conceitos.
Não poderíamos deixar de comentar, também, o que estas atividades nos proporcionou. Ficou claro a necessidade de um melhor planejamento e formação por parte do educador. O período da intervenção foi marcado intensamente por demanda de pesquisas e busca de novos conhecimentos a fim de dar subsídio aos questionamentos e expectativas dos alunos – um verdadeiro desafio.
Percebemos que, apesar da grande maioria dos alunos terem contato com uma pessoa próxima a ele que tem ou teve câncer, esta proximidade não assegurou um conhecimento prévio sobre o tema. A ignorância era tamanha a ponto de, por exemplo, alguns deles acharem que o câncer tinha caráter contagioso.  Ainda verificamos a ocorrência inicial de alunos que achavam que a condição social era um fator de predisposição ao câncer. Após a atividade interdisciplinar a mudança foi bastante expressiva; o fator de influência da sua condição social teve uma diminuição importante e o fator de reconhecer a doença como sendo contagiosa chegou a ser nula. Isto nos mostra que trabalhar a interdisciplinaridade é possível e viável, seus resultados são animadores e apontam para uma sala de aula mais dinâmica e participativa, onde os conceitos são construídos ou reconstruídos de forma significativa.
A hipótese que levantamos de que uma intervenção interdisciplinar trabalhando com o conhecimento cientifico sobre o câncer infantil possibilita a reconstrução de conceitos, foi comprovada, uma vez que o pós-teste nos revelou dados que apontam para uma mudança de postura diante do câncer e seu tratamento. Salientamos que uma vez comprovada a hipótese, verifica-se que o objetivo geral de analisar as alterações no conhecimento, bem como a derrubada do preconceito diante do câncer foi alcançado.
No que diz respeito aos objetivos específicos um fato nos chamou bastante a atenção: do universo de 80 alunos que participaram do projeto, se engajaram no trabalho voluntário 20 adolescentes, deste grupo de 20 alunos, até hoje, 4 deles trabalham diretamente com grupos de voluntários junto a crianças hospitalizadas.

REFERÊNCIAS

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AUSUBEL ,D.P.; NOVAK, J.D. e HANESIAN, H. Psicologia Educacional .Rio de Janeiro: Interamericana, 1980.
BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais – Ensino Médio, volume 3 – Ciências da Natureza, Matemática e suas Tecnologias. Brasília: MEC, 1999.
FAZENDA, Ivani C. A Integração e interdisciplinaridade no ensino brasileiro: efetividade ou ideologia? São Paulo: Loyola, 1992.

FERRARO, Nicolau Gilberto. PENTEADO, Paulo Cesar. TOLEDO, Paulo Antonio Soares. TORRES, Carlos Magno. Física, Ciência e Tecnologia: São Paulo: Moderna, 2001.

GARRUTTI, Érica Aparecida. SANTOS, Simone Regina dos. Revista de Iniciação Científica do FFC: volume 4,n. 2: São Paulo, 2004.

HELLER, Agnes. O cotidiano e a história. Editora PAZ e TERRA S/A , 2004.

JAPIASSU, H.  Interdisciplinaridade e patologia do saber.  Rio de Janeiro: Imago, 1976.

MOREIRA, Marco A.  Aprendizagem Significativa.  São Paulo: E.P.U., 2001.

MINAYO, Cecília de Souza (org.), DESLANDES, Suely Ferreira; NETO, Otávio Cruz; GOMES, Romeu. Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis, RJ: Vozes, 1994.

NACC, site do Núcleo de Apoio a Criança com Câncer . http:// www.nacc.org.br. Recife, 2005.

OLIVEIRA, Marta Kohl de. Vygotsky Aprendizado e desenvolvimento. Um processo sócio-histórico. São Paulo: Scipione, 1998.

PERRENOUD, Philippe. 10 Novas Competências para ensinar: Porto Alegre: Artmed, 2000.

REGO, Teresa Cristina. Vygotsky  Uma perspectiva histórico-cultural da educação. Petrópolis: RJ: Vozes, 1999.

SASSE, Emma Chen.  Site E-Cancer da Dra Emma Chen Sasse . http:// andre.sasse.com/infância.htm . Campinas, 2004.
 
APÊNDICE

Questionário diagnóstico
Avaliação diagnóstica (1 e 2)

1)    Sobre o Câncer:
• O que você entende sobre o Câncer?
• É uma característica genética?
• É contagioso?
• Existe maior predisposição por idade, sexo, condição social, alimentação e estresse?
• Existe tratamento? Quais você poderia enumerar?
• Você já teve próximo a você alguém com câncer?

2) No estudo das disciplinas (Biologia, Química e a Física) que temas dessas matérias você relacionaria?
3) Você acha que existe relação da Biologia, Química e a Física no estudo, diagnóstico, tratamento e ou prevenção? Justifique sua resposta
4) O que você entende sobre cidadania e solidariedade?
5) Existe interesse da sua parte em participar de um trabalho voluntário?
ANEXOS

ENSINO MÉDIO – 2004
PROJETO DIDÁTICO: CÂNCER, UMA NOVA VISÃO E COLABORAÇÃO
FAIXA ETÁRIA : 13 a 18 anos   Duração: 2 semanas

1. APRESENTAÇÃO

O presente projeto, propõe-se em passar o conhecimento sobre o câncer de forma interdisciplinar, estimulando a pesquisa no campo científico e o lado voluntário, conhecendo a realidade do paciente portador de câncer e desenvolvendo oportunidades de colaboração na cura e técnicas que possam vir a desenvolver e melhorar a vida destes. A parte científica será vivenciada através de entrevistas e palestras com equipe médica especializada no tratamento do câncer infantil no nosso estado, o lado social será abordado na forma com que se estabelece uma ótima realização de comunicação e afeto social, médico, didático e pessoal com os pacientes infantis, realizado pelo NACC (núcleo de apoio a criança com câncer).Tal projeto favorecerá aos alunos interessados o contato direto com tudo que se refere ao tratamento, cura  e técnicas diversas utilizadas nos nossos hospitais, este contato será afetivado através de visitas e palestras, além de campanha de veinculação nacional em prol desses trabalhos realizados.

2. JUSTIFICATIVA

Observando o desconhecimento  do tema “Câncer”, que caracteriza o preconceito social, viemos através  deste projeto despertar a parte científica, abrangendo a técnica medicinal, como também contribuir como Cristãos  que somos  por um conforto e oportunidade  de vida melhor a todos os portadores  de câncer, engajando-nos numa campanha digna e real que aliada a oportunidade pedagógica possam nos fortalecer numa prática do voluntariado no trabalho em hospitais e instituições da nossa região. Através do NACC em parceria com nossa atividade pedagógica poderemos dar um grande passo na colaboração e dignidade humana. O NACC é considerado  de Utilidade Pública pelas Leis Estadual n. 10.024/87, Municipal n. 15.260/89 e Federal n. 13.640/98-04, desenvolve entre suas atividades e serviços:
–  Hospedagem
–  Transporte
–  Alimentação
–  Auxílio-transporte para crianças do interior
–  Vale-transporte para crianças da periferia
–  Cesta básica para  as crianças  carentes
–  Leite e suplemento alimentar para crianças  desnutridas
–  Atendimento  e acompanhamento psico-social
–  Atendimento  de fisioterapia e terapia ocupacional
–  Programa de reabilitação
–  Programas educativos e terapêuticos
–  Programas profissionalizantes
–  Programa  de esclarecimento sobre o câncer infantil
–  Programa de saúde da mulher
Todos estes serviços são mantidos pela sociedade através de contribuições e colaboração dos profissionais competentes das diversas áreas de atuação. Neste momento o NACC recebe a contribuição da rede de lojas em Pernambuco Ronald McDonalds através do dia internacional McDIA FELIZ 2004, onde no dia 13 de novembro em que toda a venda  do Big Mac (exceto impostos) será destinada para o NACC.

3. OBJETIVOS GERAIS

–  Compreender  cientificamente o que é o câncer numa visão interdisciplinar (áreas de biologia, física e química)
–  Conhecer  qual a nossa realidade  local e os trabalhos  que estão sendo desenvolvidos na área de Oncologia Pediátrica
–  Despertar a solidariedade e ajuda  aos pacientes  e colaboradores do trabalho junto ao câncer infantil
–  Envolver a escola, as famílias e comunidade numa campanha inicial junto ao Núcleo de Apoio a Criança com Câncer (NACC)

4. CONTEÚDOS

.Conceituais
– Câncer, visão técnico-científica na abordagem Médica
– Câncer, diagnóstico e tratamento na visão interdisciplinar
– Serviços e atribuições  ao trabalho voluntário no Câncer infantil
– Formas e recursos utilizados no apoio e cura do Câncer

.Procedimentais
– Palestra e debate sobre o tema com Médicos e Presidente do NACC
– Mesa redonda com esclarecimento de dúvidas na abordqagem multidisciplinar
– Aprofundamento dos conteúdos em sala de aula
– Pesquisa em revistas, livros, internet e entrevistas, junto a outras formas tecnológicas disponíveis.
– Visita ao NACC em aula prática, como também a hospitais
– Participação em divulgação do MCDIA FELIZ
– Construção de 1 avaliação  do trabalho com apresentação de um relatório de todas as atividades, como forma de avaliação na disciplina de Biologia

. Atitudinais
–  Romper o preconceito do Câncer
–  Despertar a importância da disciplinaridade
–  Despertar a ajuda e a importância do trabalho voluntariado
–  Respeitar o próximo e colaborar para a sua melhoria física e espiritual
5. ATIVIDADES
–  Divulgação do projeto em sala de aula, deixando claro que é uma atividade voluntária e extra-curricular.
–  Participação de vendas antecipadas do BigMac entre os alunos e comunidade, explicando sobre a renda e a que se destina.
–  Instalação de uma unidade do NACC para vendas em stand de produtos com sua marca
–  Palestra da Dra. Arly Pedrosa (Presidente do NACC) em horário a ser estabelecido pelo colégio.
–  Mesa redonda
–  Aprofundamento de conteúdos
–  Visita ao NACC
–  Formação de equipes para visitas aos hospitais
–  Campanha de divulgação do MCDIA FELIZ
–  Entrega dos relatórios
–  Avaliação
6. AVALIAÇÃO
A avaliação acontecerá no decorrer do projeto e ao final do mesmo.
O professor deverá:
–  Observar o interesse dos alunos  na execução das atividades práticas e de pesquisas
–  Envolvimento das famílias dos alunos no projeto
–  Empenho na elaboração das atividades de pesquisa.

 

OBS: O NACC atende as crianças portadoras de câncer no estado que estão em tratamento nos Hospitais do Câncer, Osvaldo Cruz, IMIP e Hemope.

7. CULMINÂNCIA

–  Tarde recreativa com as crianças do NACC na finalização do projeto, com uma grande festa organizada pelos participantes.
–  Local: NACC.
OBS: O TRABALHO NA ÍNTEGRA ENCONTRA-SE COM O GRUPO S.O.S. AMIZADE, CASO OCORRA O INTERESSE DE OBTER-SE  A MONOGRAFIA, É SÓ COMUNICAR  VIA EMAIL.